sábado, 13 de junho de 2026

Consciência, ação e IA

Observação: De uma ideia há muito tempo criada por mim, colocada em textos, grupos e blogs, mas não desenvolvida, coloquei na IA, e ela me deu a resposta em menos de um minuto, o que eu, pesquisando, demoraria muito tempo. Agora posso desenvolver os tópicos da resposta economizando muito mais tempo se fosse pesquisar. Em um mundo onde já se descobriu muito, mas falta ainda também muito a descobrir, a IA mostra toda a sua força: a agilização de trabalhos nas mais diversas áreas de trabalho e conhecimento.

"Seja a seguinte frase simples: Vou pegar o meu filho na escola e jantaremos em um restaurante." Nela existem ações representadas pelo pronome possessivo 'meu', pelos verbos 'pegar' e 'jantaremos' e são acompanhados pela consciência em '(Eu) Vou', 'meu (ele é meu filho)' e (Nós) 'jantaremos'. A consciência ajuda, é um suporte para muitas de nossas ações. Existem assuntos específicos para tanto?"

Resposta:

Sim. A questão que você levanta é estudada por várias áreas da filosofia, psicologia cognitiva e neurociência, especialmente quando se pergunta qual é o papel da consciência na execução de ações e na representação do "eu" envolvido nessas ações.

Existem alguns temas específicos que estudam isso:

1. Consciência e controle da ação

Uma questão clássica é se a consciência participa ativamente das ações ou apenas acompanha processos que já foram iniciados pelo cérebro. Quando você diz "Vou pegar meu filho", parece haver uma intenção consciente antecedendo a ação. Esse tema é estudado na neurociência da ação voluntária e na filosofia da mente.

Pesquisadores como Benjamin Libet investigaram a relação entre intenção consciente e preparação cerebral para a ação.

2. Sentido de agência (sense of agency)

É o estudo da sensação de que "sou eu quem está realizando esta ação". Quando você pensa "vou pegar meu filho", existe uma experiência subjetiva de autoria da ação.

O sentido de agência procura explicar por que sentimos que determinadas ações são nossas e não produzidas por causas externas.

3. Autoconsciência (self-awareness)

A autoconsciência refere-se à capacidade de representar a si mesmo como sujeito da experiência. Na frase aparecem diversos marcadores desse "eu":

  • "(Eu) vou pegar..."
  • "meu filho"
  • "jantaremos"

Em todos eles existe uma referência implícita ou explícita ao sujeito que planeja, age e participa dos acontecimentos.

4. Consciência e planejamento futuro

Sua frase é um exemplo de projeção mental para o futuro. Você não está apenas descrevendo o presente, mas planejando uma sequência de ações futuras.

Esse tema é estudado sob os nomes de:

  • prospecção mental (mental time travel);
  • simulação de cenários futuros;
  • planejamento executivo.

Pesquisadores observam que a consciência permite organizar metas futuras e coordenar múltiplas ações em uma sequência coerente.

5. O "eu narrativo"

Na filosofia e na psicologia existe a ideia de que a consciência constrói uma narrativa contínua sobre quem somos. Sua frase não é apenas uma sequência de ações; ela faz parte de uma história:

"Eu tenho um filho, vou buscá-lo e depois nós iremos jantar."

Essa integração temporal entre passado, presente e futuro é frequentemente associada ao chamado "eu narrativo".

6. Consciência como espaço integrador

Algumas teorias contemporâneas propõem que a consciência funciona como um sistema de integração de informações. Nessa visão, ela ajuda a coordenar objetivos, memórias, emoções, linguagem e ações.

Por exemplo, ao formular sua frase, diversos elementos são integrados:

  • identidade pessoal ("eu");
  • relação familiar ("meu filho");
  • objetivo imediato (buscar);
  • objetivo posterior (jantar);
  • representação temporal (futuro).

A consciência permitiria que tudo isso fosse mantido simultaneamente disponível para orientar o comportamento.

Portanto, existe sim um campo amplo dedicado exatamente à ideia que você visualiza intuitivamente: a consciência parece servir de suporte para muitas ações complexas, especialmente aquelas que envolvem planejamento, tomada de decisão, autorreferência e coordenação de comportamentos ao longo do tempo. Os temas mais diretamente relacionados são consciência e ação voluntária, sentido de agência, autoconsciência, funções executivas, planejamento prospectivo e o estudo filosófico do "eu". Essas áreas investigam até que ponto a consciência é apenas uma observadora dos processos cognitivos ou uma participante funcional na organização do comportamento humano.

domingo, 7 de junho de 2026

A criação de deuses e entidades espirituais pela imaginação humana - A Teoria dos Conceitos Minimamente Contraintuitivos (MCI)

 “A imaginação consegue imaginar muito mais do que imaginamos.”  

 

Mecanicamente, a expressão acima é uma repetição, mas poeticamente e filosoficamente é um paradoxo expressivo. É uma frase inteligente que usa a própria limitação das palavras para falar sobre algo que não tem limites.   

Em uma redação escolar ou acadêmica comum seria apontado como um vício de linguagem; especificamente um eco ou cacofonia. No campo da literatura, da publicidade e da filosofia, essa frase não é um erro: ela é uma construção intencional rica em significado.  

Poderia ser: ‘A nossa capacidade mental de criar cenários tem um potencial tão infinito que supera aquilo que a nossa mente consciente consegue sequer supor ou prever.’  

 

Além da mente consciente… aqui entra o sobrenatural e você pode criar o que quiser. E assim foi a história das crenças.  

 

Se houvesse apenas um deus e suas entidades espirituais em nosso universo, eles pertenceriam às pessoas em todo o planeta e em todas as épocas. Em dado momento da vida delas, eles ‘apareceriam’ em suas mentes, mas, algo nada comentado por aí é que são ensinados, passados às crianças quando começam a entender sobre o mundo, suas vidas, seus familiares etc. E isso em todas as partes, países, povos, de toda a Terra. Dá para se deduzir claramente que alguém começou com as crenças, outros aperfeiçoaram e assim por diante. Esta é a base central deste texto: o homem cria deuses.  

 

Dois antropólogos estadunidenses, Benjamin Grant Purzycki e Richard Sosis, possuem um excelente trabalho (Purzycki & Sosis, 2022) de nome Teoria dos Conceitos Minimamente Contraintuitivos (MCI).     

Eles demonstram cientificamente que, para que um monstro, deus ou criatura fantástica faça sentido para a nossa mente, ele precisa manter 90% das características do mundo concreto, forma humana, biologia animal etc., e alterar apenas 10%: voar, ser invisível, cuspir fogo etc. Dito de outro modo, mesmo quando criamos o sobrenatural, nossa imaginação opera necessariamente por meio da reconfiguração de elementos do mundo físico. Um dragão é a colagem de uma serpente, asas de morcego e o fogo da natureza; um fantasma é o contorno humano sem a opacidade da carne. A mente nunca cria a partir do zero absoluto; ela desconstrói a realidade para remontá-la como mágica.  

 

Isso seria uma limitação da imaginação humana?  

Para esses cientistas cognitivos da religião e da evolução isso não é uma limitação, mas sim a própria condição de existência da criatividade. Para eles, se a imaginação não estivesse ancorada no mundo concreto, ela não seria livre; ela seria apenas ruído estático, incapaz de gerar qualquer sentido.   

Nascemos com expectativas automáticas sobre o mundo, divididas em categorias que chamamos de ontologias intuitivas:  

1.1. Física intuitiva: sabemos que objetos sólidos não atravessam paredes e caem se forem soltos;  

1.2. Biologia intuitiva: sabemos que seres vivos nascem, respiram, precisam de alimento e morrem;  

1.3. Psicologia intuitiva: sabemos que outros seres têm mentes, desejos, crenças e intenções.  

Se tentássemos criar algo a partir do ‘zero’ — violando todas essas regras ao mesmo tempo —, o conceito seria cognitivamente intratável. Imagine um ser que não ocupa lugar no espaço, não tem tempo, não tem forma, não tem intenção, não se move e não tem história. O que você imaginou? Nada. O cérebro sofre um crash porque não tem matéria-prima para processar.  

 

No livro Our Gods (2022), Purzycki e Sosis exploram como o sobrenatural se aproveita dessa estrutura. O segredo da imaginação humana para criar deuses, monstros e mitos não é ignorar a realidade, mas usar o mundo concreto como um Cavalo de Troia.  

A mente pega uma categoria inteira do mundo concreto: por exemplo, uma pessoa, com todas as suas regras físicas e psicológicas, e faz uma moderação cirúrgica violando apenas uma ou duas propriedades, como, ela pode atravessar paredes e sabe o que estou pensando.  

Para a ciência cognitiva, o sobrenatural é apenas o natural com uma leve mutação. Um fantasma mantém a psicologia humana, sente raiva, quer vingança, mas viola a física, é intangível. Se ele violasse a física e a psicologia, se não tivesse sentimentos nem intenções, nós perderíamos o interesse nele imediatamente.  

 

Para entender por que isso não limita a imaginação, pense no alfabeto. Temos um número restrito de letras, o mundo concreto, mas a combinação delas permite criar infinitas bibliotecas de Alexandria.  

A imaginação humana não é limitada porque ela trabalha por recombinação combinatória. Desconstruir a realidade e remontá-la permite que a mente humana crie infinitos mundos fantásticos. A matéria-prima é finita, mas os arranjos são infinitos. 

Se a mente pudesse criar a partir de um zero absoluto, as nossas criações seriam incompreensíveis para os outros e inúteis para nós mesmos. Portanto, os cientistas não enxergam essa dependência do concreto como uma falha. É justamente porque a nossa imaginação está firmemente ancorada nas leis do mundo real que ela consegue esticar essas leis até o limite, criando deuses, poesias e universos de ficção que nos emocionam, fazem sentido e sobrevivem através das gerações.  

 

Mas e no caso do Deus cristão, considerado onipotente, onipresente, onisciente e amorfo, como fica?  

À primeira vista, o Deus cristão — sendo onipotente, onipresente, onisciente e amorfo, sem forma física — parece implodir completamente a teoria de que a nossa imaginação precisa de âncoras no mundo concreto. Afinal, como algo pode ser uma leve mutação do natural se ele quebra praticamente todas as regras da física e da biologia? É um desafio explicar como uma divindade totalmente abstrata e infinita consegue ser assimilada por uma mente humana que, biologicamente, depende do mundo físico e concreto para conseguir imaginar qualquer coisa.  

Para resolver esse mistério, esse paradoxo, os cientistas cognitivos, especialmente Justin Barrett e Pascal Boyer, descobriram um fenômeno fascinante chamado ‘Correção Teológica’ versus ‘Representação Cognitiva’ (Barrett, 1999, 2021; Boyer, 2001). A explicação de como a nossa mente lida com isso se divide em três pontos centrais: 

 

1. O conceito intelectual vs. O conceito prático  

Existe uma diferença brutal entre o que as pessoas dizem que acreditam quando estão filosofando, a teologia, e como o cérebro delas processa essa crença no milissegundo do dia a dia, a cognição.  

Quando um teólogo ou um fiel para refletir, ele afirma categoricamente: ‘Deus é amorfo, não ocupa lugar no espaço e sabe o passado, o presente e o futuro simultaneamente’, Isso é um conceito abstrato de segunda ordem, aprendido culturalmente.  

No entanto, quando esse mesmo fiel vai rezar ou pensar em Deus agindo no mundo, o cérebro dele desliga o modo abstrato e liga o modo intuitivo. Para a imaginação conseguir operar, ela traz Deus imediatamente para a categoria concreta de pessoa: a psicologia Intuitiva.  

 

2. A âncora na psicologia humana - O agente sem corpo  

Mesmo sendo amorfo e infinito, o Deus cristão só faz sentido para a mente humana porque ele retém 100% da categoria psicológica de uma pessoa.  

2.1. Ele tem vontades: deseja que a humanidade faça o bem;  

2.2. Ele tem emoções: rejubila-se com o amor, entristece-se com o pecado;  

2.3. Ele tem foco de atenção: escuta uma prece de cada vez, do ponto de vista do fiel;  

2.4. Ele possui agência: toma decisões e age na história.  

 

Para a ciência cognitiva, o Deus cristão é imaginado essencialmente como uma mente humana superpotente sem um corpo. A imaginação violou a física, ele é invisível/amorfo. E na biologia, ele não morre/não come, mas manteve a psicologia intocada. Se Deus fosse amorfo e não tivesse mente, desejos, amor e pensamentos, ele seria idêntico ao ‘vácuo quântico’ ou às ‘leis da termodinâmica’ — conceitos que a nossa imaginação não consegue personificar nem adorar emocionalmente. 

 

3. O que dizem os experimentos científicos?  

O psicólogo cognitivo Justin Barrett realizou experimentos famosos que provaram essa dupla identidade da mente (Barrett & Keil, 1996).  

Ele pedia para pessoas religiosas lerem histórias onde Deus intervinha para salvar alguém. No papel, os participantes afirmavam que Deus era onipresente e onisciente. Porém, quando eram testados sobre a memória da história, os participantes frequentemente cometiam erros intuitivos, assumindo que Deus primeiro ouviu a oração de um menino na Terra, depois processou a informação e então decidiu agir, salvando outra pessoa em outro lugar.  

 

O veredicto da ciência: nosso cérebro não foi projetado para processar a onipresença em tempo real. Nós flagramos nossa imaginação limitando Deus a um fluxo de tempo linear e a uma sequência de pensamentos muito parecida com a nossa, simplesmente porque é a única forma que o nosso cérebro físico tem de processar um agente. 

 

Como fica o mistério, o paradoxo, afinal?  

O Deus cristão amorfo e infinito funciona na cultura porque ele opera como um conceito de dois níveis:  

 

Nível teológico e abstrato: onipresente, sem forma, além do tempo;  

Nível cognitivo e ancorado no concreto: uma mente com características humanas que está em algum lugar nos ouvindo. 

 

Nível teológico e abstrato: onisciente, sabe tudo ao mesmo tempo;  

Nível cognitivo e ancorado no concreto: alguém que tem acesso a todas as informações estratégicas da nossa vida. Uma mente sem limites de memória.  

 

Portanto, a regra se mantém: a teologia pode propor o puramente abstrato, mas para que a imaginação humana consiga se conectar com Deus, criar arte sacra, rezar ou sentir uma emoção religiosa, ela precisa, secretamente, trazer esse Deus de volta para o molde de uma mente humana concreta. 

 

Até que ponto tudo o que foi exposto aqui pode representar tentativas de se criar deuses e entidades espirituais e não que estes existem e passaram aos humanos seus conhecimentos, regras, valores etc., para os humanos seguirem? 

 

Esta é a pergunta central que divide a ciência cognitiva da religião da teologia. Ela toca diretamente na navalha de Ockham: se a mente humana e a evolução cultural possuem todos os mecanismos necessários para projetar, refinar e sustentar a ideia de deuses e espíritos, a existência real dessas entidades torna-se uma hipótese cientificamente redundante.  

Explicando o fenômeno de ponta a ponta, a balança inclina-se fortemente para a hipótese da criação humana, de baixo para cima pelas seguintes razões científicas e históricas: 

 

1. A redundância explicativa - O modelo ‘De baixo para cima’  

Até o momento, a ciência não encontrou nenhuma lacuna no surgimento das religiões que exija uma intervenção externa, ‘De cima para baixo’, para ser explicada. Tudo o que chamamos de revelação divina pode ser mapeado como um subproduto da nossa própria arquitetura cognitiva: 

 

1.1. A moral não precisa de leis divinas: a antropologia evolucionista demonstra que regras de cooperação, altruísmo recíproco e punição ao egoísmo já existiam em primatas e hominídeos ancestrais antes do surgimento das grandes religiões; 

 

1.2. A projeção da lei: humanos são obcecados por ordem e causalidade. Quando criamos regras sociais para a tribo sobreviver, a nossa imaginação faz o que sempre faz: projeta essa necessidade de ordem para o cosmos. É muito mais eficiente fazer a tribo obedecer a uma regra dizendo ‘O dono do trovão vai te punir se você roubar’ do que dizer ‘Eu vou te punir’. O deus torna-se o fiador invisível do contrato social. 

 

2. O Alinhamento perfeito com a evolução social  

Se os deuses fossem entidades reais que transmitiam conhecimentos e valores fixos à humanidade, o formato dessas entidades e suas regras deveriam ser independentes da organização política humana. Mas o que a história e a sociologia mostram é exatamente o oposto: os deuses mudam conforme o sistema econômico e social humano muda. Exemplo: pequenos grupos com caçadores-coletores: espíritos locais, caprichosos, sem interesse em moral universal.  

Surgimento da agricultura e cidades gerando grandes impérios e sociedades complexas: grandes deuses, oniscientes, obcecados por vigilância moral e leis estritas. 

 

Em sociedades de caçadores-coletores os espíritos da floresta não se importam se você mentiu para seu irmão, eles querem apenas o respeito aos rituais da caça. Os ‘deuses vigilantes’ - como o Deus abraâmico ou o conceito de Karma só surgem quando as cidades humanas crescem a ponto de precisarmos interagir com estranhos. Para que uma grande civilização não colapse em desconfiança, a cultura humana criou deuses que tudo veem, funcionando como uma polícia psicológica invisível. 

 

3. A contingência geográfica e histórica  

Se o conhecimento espiritual fosse uma revelação externa de uma entidade real, seria de se esperar uma convergência universal desses dados. No entanto, os valores, as regras alimentares, as estruturas familiares e os tabus divinos são estritamente condicionados pela geografia e pelas necessidades materiais do povo que os imagina:  

Por que o porco é impuro para os povos do deserto do Oriente Médio antigo? A ecologia demonstra que criar porcos em regiões áridas gerava uma competição destrutiva por água e recursos que a comunidade não podia pagar. A proibição divina transformou uma necessidade ecológica e sanitária local em um mandamento eterno. 

 

O contra-argumento teológico - A ‘fiação receptiva’  

Para sermos justos com o outro lado da moeda, como os teólogos e filósofos realistas, que acreditam na existência real dessas entidades, respondem a isso?  

Eles usam os mesmos dados da ciência cognitiva, mas invertem a seta causal. O argumento deles, conhecido na filosofia da religião como epistemologia reformada, diz o seguinte: 

 

“Se a mente humana evoluiu para ter ferramentas cognitivas, como a busca por agência e mentes invisíveis, que se encaixam perfeitamente na ideia de Deus, isso não prova que inventamos Deus. Prova que o Deus real projetou o processo evolucionário para que nossos cérebros fossem 'fados de fábrica' com o hardware correto para sintonizar a Sua existência." 

 

O Veredito  

Embora a ciência não possa provar a inexistência do sobrenatural, já que não se pode provar uma negativa, o modelo de que os humanos criaram os deuses à sua imagem e semelhança cognitiva é o que possui maior poder preditivo e explicativo.  

Nós pegamos a nossa psicologia, as nossas dinâmicas de poder familiar, a figura do pai, do rei, do juiz, as nossas necessidades biológicas e as nossas regras sociais, e usamos a nossa imaginação — que é incapaz de criar a partir do nada — para projetar tudo isso na escala do infinito. 

 

Para qualquer pessoa religiosa, seja qual for a religião dela, tudo exposto aqui seria o contrário: Deus criou tudo, deuses de outras religiões criaram tudo; cada uma delas tomando para si a criação de tudo. Mas acredito que os cientistas citados apresentam é difícil de se opor; apenas pelas crenças mesmo porque, enquanto cientistas procuram por respostas, as religiões já as têm (frase de Albert Einstein). Exemplos: Morreu? Deus ou deuses quiseram. Não morreu? Deus ou deuses quiseram. E por aí se vão as crenças pelo mundo; umas parecidas, outras iguais, outras bem diferentes: Deus criou o homem a partir do barro, soprando-lhe a vida, e a mulher de uma costela do homem - Cristianismo. O casal de deuses irmãos Izanagi e Izanami gerou as ilhas do Japão e os deuses que, por sua vez, deram origem aos seres humanos - Xintoísmo. Já no Hinduísmo o universo e os seres humanos passam por ciclos eternos de criação por Brahma, conservação por Vishnu e destruição por Shiva. Que diferença… 

 

 

Referências  

 

Barrett, J. L., & Keil, F. C. (1996). Conceptualizing a nonnatural entityAnthropomorphism in God conceptsCognitive Psychology31(3), 219–247. https://doi.org/10.1006/cogp.1996.0017 

 

Barrett, J. L. (1999). Theological correctnessCognitive constraint and the study of religionMethod & Theory in the Study of Religion11(4), 325–339. https://doi.org/10.1163/157006899X00078. 

 

Barrett, J. L. (2021). Cognitive science of religion: The core questionsRoutledge. 

 

Boyer, P. (2001). Religion explained: The evolutionary origins of religious thought. Basic Books. 

  

Purzycki, B. G., & Sosis, R. (2022). Our godsReligioncognitionand cultureRoutledge.