Pergunta colocada no Gemini - IA - Google:
O Relativismo Religioso como eu o vejo: as muitas diferenças entre as religiões
Observação: para todo este blog recomendo a leitura do texto "Religiões e Crenças na Visão Evolucionista e não Teísta"
sábado, 29 de novembro de 2025
Nossos sentimentos e emoções são produzidos por algo sobrenatural ou bastam as atividades cerebrais para tanto?
quarta-feira, 27 de agosto de 2025
A Teoria do Nível Funcional Sistêmico (TNFS) e a sua consequência, a Lei do Aumento da Informação Funcional (LIFI)
Resumo
Argumento que a nova Lei do Aumento da Informação Funcional, LIFI em inglês, proposta por Michael L. Wong, Robert Hazen e colaboradores (Wong et al. 2023), pertencem a esta Teoria do Nível Funcional Sistêmico, TNFS, que apresento aqui no decorrer deste texto junto à LIFI, porque a informação necessita de matéria e energia para ser gerada, armazenada, transmitida e processada, no qual o Aumento da Informação Funcional é o efeito e o Nível Funcional Sistêmico, NFS, é a causa.
Palavras-chave: Lei do Aumento da Informação Funcional, LIFI, Michael L. Wong, Nível Funcional Sistêmico, NFS, Teoria do Nível Funcional Sistêmico, TNFS, Energia, Matéria, Informação, Sistemas e a Origem da Vida
Introdução
O Nível Funcional Sistêmico* (NFS) é uma medida ou grau do funcionamento de um sistema em termos de complexidade crescente, dada pela combinação de matéria, energia e informação. A quantidade de informação gerada, armazenada, transmitida e processada pelo sistema tem um ‘peso’ maior do que as outras duas ‘variáveis’. Por exemplo, temos menos massa que um tigre, gastamos menos energia, mas a quantidade de informação que processamos, devido ao nosso cérebro, faz com que o Nível Funcional Sistêmico seja mais elevado. Como estamos lidando com sistemas complexos, é impossível expressar tudo isso em fórmulas, mas seria algo como massa x energia x informação. Ele mostra como funciona o materialismo emergente, no qual as propriedades emergentes estão presentes, aumentando os níveis de funcionalidade dos sistemas, contradizendo aqueles que pensam que o reducionismo é a forma como os cientistas pensam, o que está muito errado, porque a emergência faz toda a diferença na formação de sistemas complexos.
O nível funcional emerge quando a interação entre os componentes de um sistema gera propriedades emergentes que não existem nas partes isoladas. Essa abordagem holística sugere que os sistemas — de átomos a seres sociais — evoluem por meio da estabilização de configurações que desempenham funções específicas.
A Teoria do Nível Funcional do Sistema (TNFS) expande o conceito de Nível Funcional Sistêmico, não se fixando em apenas um caso, o de seres vivos, mas em outros sistemas complexos como formatos de galáxias, células cristalinas dos minerais, cristais, à origem da vida, à vida inteligente etc., descrevendo a organização da realidade em níveis hierárquicos de complexidade. Ela entende que o universo, do jeito que é e sempre foi desde há muito tempo, possui o potencial de gerar estruturas organizadas, complexas ou não e contra a entropia, nas quais a matéria, a energia e a informação crescem conjuntamente, em condições raríssimas, mas que existem, formando sistemas complexos de muitas maneiras diferentes.
Existe uma relação direta da TNFS com a Lei do Aumento da Informação Funcional. Ela reside na convergência de seus princípios: ambas postulam que os sistemas naturais, vivos ou não, tendem a aumentar sua complexidade ao longo do tempo. Na TNFS, o nível funcional é o estágio onde ocorre a seleção; na LIFI, essa evolução é quantificada pelo aumento da informação funcional. Ou seja, o universo seleciona configurações que promovem estabilidade, persistência dinâmica ou novidade funcional. Se o Nível Funcional Sistêmico aumenta, a informação funcional também aumenta, sendo dependente dele. Meu objetivo é mostrar que a Lei do Aumento da Informação Funcional é uma consequência da Teoria do Nível Funcional Sistêmico.
Em suma, este texto antecipa a visão de que a evolução não é exclusiva da biologia darwiniana, mas um processo universal de sistemas complexos que buscam níveis mais elevados de organização funcional.
1. A TNFS
A Teoria do Nível Funcional Sistêmico postula que a evolução de qualquer sistema, seja ele mineral, biológico ou tecnológico, é governada por um aumento concomitante em sua base material, energética e informacional. De acordo com essa teoria, a informação funcional não surge isoladamente, mas como resultado direto da elevação do nível funcional do sistema.
2. O Axioma da Trindade Sistêmica
Para que a funcionalidade aumente, um sistema deve necessariamente otimizar a relação entre três pilares fundamentais. Enquanto a termodinâmica tradicional se concentra nos dois primeiros, na lista do próximo parágrafo, a Teoria do Nível Funcional Sistêmico postula que a evolução da complexidade é impulsionada pela interação destes com uma terceira variável não conservativa:
Massa M: o substrato físico, a magnitude estrutural e o suporte gravitacional/inercial.
Energia E: o potencial para conexão, fluxo de manutenção, trabalho e processamento metabólico ou computacional.
Informação I: a configuração, o projeto, a simetria específica ou o código que atribui propósito e restrições à massa e à energia.
Para formalizar essa interdependência, a Teoria do Nível Funcional Sistêmico é expressa como uma função dessas variáveis:
TNFS ≈ f(M ⋅ E ⋅ I^α)
Nesta expressão, α representa o fator de escala não linear, ou ‘peso’ informacional. Enquanto M e E são regidos por leis de conservação estritas, a informação I não é conservativa e é cumulativa. O expoente α explica por que sistemas com massa e consumo de energia relativamente baixos — como o cérebro humano em comparação com mamíferos maiores — podem atingir níveis funcionais de ordens em magnitude superiores. Essas três variáveis são diretamente proporcionais porque um aumento, por exemplo, da matéria e da energia, fazem com que seja possível mais informação ser gerada, transmitida, armazenada ou processada, valendo a cada uma delas em separado.
À medida que um sistema evolui, a densidade informacional começa a crescer exponencialmente, atuando como o principal motor da Lei do Aumento da Informação Funcional. Sem essa modificação da base material/energética por meio da ponderação informacional, a funcionalidade permaneceria estática.
Postulado central: a informação funcional, expressa na Lei do Aumento da Informação Funcional, é a manifestação da organização da matéria e da energia em níveis de complexidade crescente. Sem a modificação da matéria/energia, a informação não pode ser armazenada ou transmitida.
3. O Mecanismo de Seleção para a Função
A Lei do Aumento da Informação Funcional propõe que a natureza seleciona por persistência e novidade. A Teoria do Nível Funcional Sistêmico explica que essa seleção ocorre por meio do refinamento da estrutura:
Persistência estática (ex.: diamante): o aumento do Nível Funcional Sistêmico aqui é observado na transição de átomos de carbono isolados para uma rede cristalina. A configuração espacial de ângulos de 109,5° maximiza a energia de ligação e a dureza, transformando a informação estrutural em utilidade física.
Persistência dinâmica (ex.: estrelas e células): sistemas que mantêm um fluxo constante. No caso das estrelas, a evolução do hidrogênio e do hélio em elementos mais pesados aumenta o número de prótons e níveis de energia (camadas eletrônicas), elevando o Nível Funcional Sistêmico cósmico.
Geração de novidade (ex.: membranas biológicas): em uma membrana sendo destruída internamente por um elemento 'A', permitindo a entrada de um inibidor 'B', devido a qualquer transformação em sua estrutura sem alterar o Nível Funcional Sistêmico, demonstra-se que o NFS aumenta porque o sistema adiciona esse elemento extra de proteção, massa, e um novo código de reconhecimento, a informação.
4. Comparação: Lei do Aumento da Informação Funcional, LIFI, vs. Nível Funcional Sistêmico, NFS.
As relações abaixo resumem como o Nível Funcional Sistêmico atua como o motor por trás das observações da Lei do Aumento da Informação Funcional:
LIFI: Universalidade
NFS: ocorre do átomo ao software, pois tudo o que existe ocupa massa e processa energia.
LIFI: Complexidade aprimorada
NFS: é o resultado da compactação de mais funções em estruturas com configurações espaciais específicas.
LIFI: Informação proposital
NFS: a informação só é funcional se houver uma estrutura física M capaz de realizar trabalho E.
LIFI: Contraponto à entropia
NFS: o Nível Funcional Sistêmico é um acumulador de ordem. Neste contexto, ele atua como um acumulador local de ordem que, ao processar fluxos de energia externa para organizar a matéria, converte a negentropia em informação funcional estruturada e persistente. Isso permite ao sistema reduzir a desordem informacional e aumentar sua resiliência contra a degradação ambiental.
5. A Singularidade do Sistema Triclínico (o exemplo da turquesa)
Podemos usar a turquesa para ilustrar o aumento de informação através da quebra de simetria, sendo uma evidência de armazenamento de informação estrutural. No sistema triclínico dessa rocha (a ≠ b ≠ c, comprimentos das arestas, a, b e c, e ângulos entre os átomos diferentes de 90°), o baixo nível de simetria paradoxalmente requer uma quantidade maior de informação específica para descrever a estrutura do que uma estrutura cúbica simples. Isso prova que a evolução mineral não é apenas uma mistura de átomos, mas um refinamento da informação posicional e das ligações.
Conclusão
O aumento da Informação Funcional é o efeito emergente, enquanto o aumento do Nível Funcional Sistêmico é a causa fundamental. O universo tende a organizar sistemas onde matéria e energia são moldadas pela informação para garantir a persistência; contudo, esse processo não é arbitrário. Ele é governado pela capacidade do sistema de atuar como um acumulador local de ordem, convertendo a negentropia ambiental em estruturas funcionais estáveis.
Dentro dessa estrutura, os compostos de carbono são como ‘centelhas da vida’ (PINTO, 2025) não apenas devido à sua afinidade química, mas porque possuem versatilidades geométrica e energética únicas, necessárias para atingir níveis funcionais sistêmicos excepcionalmente altos. Essa transição da química para a biologia marca o ponto em que o componente informacional da Trindade Sistêmica (M, E, I) começa a aumentar de forma não linear, permitindo a geração de novidade e persistência dinâmica. Em última análise, a Lei do Aumento da Informação Funcional serve como a métrica macroscópica para um impulso termodinâmico mais profundo: a busca sistêmica por níveis funcionais mais elevados.
Nota
(*) Nível Funcional Sistêmico: termo cunhado por mim em 1997, o qual foi o insight para escrever o livro Sistemas e a origem da vida, registrado, como está nas referências, na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro em 07/01/2000.
Referências
PINTO, Argos Arruda. Sistemas e a origem da vida. São Paulo: [s. n.], 2000. 1 arquivo original datiloscrito. Registro na Biblioteca Nacional (Rio de Janeiro). Disponível em: https://argosarrudapinto.blogspot.com/2019/08/sistemas-e-origem-da-vida_29.html. Acesso em: 22 mar. 2026.
PINTO, Argos Arruda. Compostos de carbono: as centelhas da vida: um texto interdisciplinar. Blog Argos Arruda Pinto. 18 dez. 2025. Disponível em: https://argosarrudapinto.blogspot.com/2025/12/compostos-de-carbono-as-centelhas-da.html. Acesso em: 22 mar. 2026.
WONG, Michael L. et al. On the roles of function and selection in evolving systems. Proceedings of the National Academy of Sciences, v. 120, n. 43, e2310223120, 2023.
terça-feira, 12 de agosto de 2025
Eu, a IA e a Circularidade Ateísta
Escrevo sobre o que denominei Circularidade Ateísta e ainda envio esta ideia a filósofos, filósofos cristãos e cientistas das religiões, sem obter uma resposta satisfatória. Então fiz três perguntas à IA do Gemini do Google sobre o assunto.
Primeiro, a fim de informar a você leitor, a Circularidade Ateísta é o seguinte: "Como pode existir uma religião verdadeira se as práticas religiosas das outras são também benéficas aos seus adeptos, com exceções, demonstrando ser a (s) divindade (s) e os valores religiosos também verdadeiros, mas, isto também seria um absurdo porque não se pode haver várias religiões verdadeiras ao mesmo tempo, com divindade (s) e valores religiosos também verdadeiros, e, então, devido à esta circularidade, não nos levaria a crer na verdade única de todas serem falsas, apenas criações da mente humana?"
A "conversa":
Eu: Quero fazer uma pergunta, mas antes colocarei algumas ideias:
1) Existem muitas religiões atualmente no planeta;
2) Todas possuem um deus principal, vários deuses ou vários deuses, mas com um principal;
3) E, quem sabe, nenhum deus principal, mas para a minha pergunta não importa;
4) Qualquer adepto de uma dessas religiões acredita apenas no deus da própria religião, e, se houver pessoas que acreditam em vários, não importará aqui porque seria possivelmente exceções;
5) Embora a grande maioria das pessoas não declarem publicamente, elas rejeitam o (s) deus (es) da (s) outra (s), porque seria inconcebível acreditar em vários deles ao mesmo tempo, tomando-os como verdadeiros;
6) Nunca vejo esta afirmação ser veiculada frequentemente, aliás, quase nunca;
7) Evidente que os adeptos de cada uma religião considera o seu (s) deus (es) como o (s) único (s) verdadeiro (s), pois, caso contrário, estaria admitindo a existência do (s) outro (s).
Pergunto, então: não seria correto acreditar que, diante de tantas crenças, acreditar que todos foram invenções da imaginação humana, em todos os lugares e épocas em nosso planeta?
IA: sua pergunta aborda um tema complexo e fascinante, que toca em questões de fé, razão e o papel da religião na história e na cultura humana. A partir das suas ideias, você levanta um ponto central sobre a multiplicidade de crenças e a aparente exclusividade de cada uma delas.
A crença de que os deuses são invenções humanas é uma perspectiva válida e comum no campo da filosofia da religião e da antropologia. Essa visão, muitas vezes associada ao ateísmo, agnosticismo ou ao humanismo secular, sugere que as divindades são construções culturais que surgem para dar sentido ao mundo, responder a perguntas existenciais e estabelecer códigos morais. As histórias sobre deuses e a organização das religiões seriam, portanto, reflexos das sociedades que as criaram, moldadas por suas necessidades, medos e aspirações.
Por outro lado, para os crentes de qualquer religião, a existência de outras crenças não invalida a sua própria fé. Eles consideram que o seu deus ou deuses são a única verdade, e as outras religiões seriam interpretações equivocadas ou, em alguns casos, invenções. A exclusividade da fé é um pilar para muitas religiões, pois é o que dá a ela sua autoridade e sua razão de ser. A existência de múltiplas religiões é vista não como uma prova de que todas são falsas, mas como evidência da busca humana por uma verdade que, segundo eles, já foi revelada em sua própria tradição.
Em resumo, a sua pergunta nos leva a duas conclusões opostas e igualmente possíveis:
- A pluralidade de deuses como evidência de invenção humana: Se cada religião alega ser a única verdadeira, e todas elas entram em contradição, a explicação mais lógica para um observador externo seria a de que todas são, na verdade, produtos da imaginação humana.
- A pluralidade de deuses como evidência da busca pela verdade: Para quem tem fé, a existência de várias crenças não prova que todas são falsas. Pelo contrário, mostra que a humanidade sempre buscou respostas para as grandes questões da vida, e que cada religião é uma manifestação dessa busca, com uma delas (a sua própria) sendo a correta.
Ambas as perspectivas coexistem, e a escolha de qual delas é a mais adequada depende, fundamentalmente, da sua própria visão de mundo, fé e razão.
Eu: Continuando esta conversa, vejo que as práticas religiosas de cada religião, diferentes entre si, promovem, em geral, um bem-estar, alívio de preocupações, conforto "emocional" etc., aos adeptos. Então existiriam todos os valores, deus (es), entidades divinas, regras etc., ao mesmo tempo no universo, sendo um absurdo, mas, por outro lado, não se poderia realmente pensar que as crenças são frutos de ensinamentos, aprendizagem etc., através dos país, irmãos, parentes, amigos etc., do meio "ambiente social" no qual as crianças crescem? Quer dizer, deus (es) e outros valores, estariam apenas no cérebro de cada um, influenciando essas pessoas positivamente, mas sem existirem na realidade?
IA: Sua nova pergunta aprofunda a discussão de forma muito interessante, misturando os benefícios psicológicos da fé com a influência do ambiente social na formação das crenças. A ideia de que as crenças religiosas, incluindo a existência de deuses, poderiam ser "apenas" construções mentais com efeitos positivos para o indivíduo é uma das principais teses da psicologia da religião e da sociologia.
Vamos analisar seus pontos:
- Bem-estar e alívio emocional: É amplamente reconhecido que a religião pode oferecer um suporte psicológico significativo. As práticas religiosas, o senso de comunidade e a crença em uma força superior podem proporcionar conforto em momentos de dificuldade, reduzir o estresse e dar um propósito à vida. De uma perspectiva puramente científica, estes benefícios são reais e mensuráveis, independentemente de se o objeto da fé existe ou não na realidade material. O "lugar" onde esses benefícios acontecem é, de fato, o cérebro humano.
- Crenças como resultado de ensinamentos sociais: A sociologia da religião aponta que a maioria das pessoas adota a fé de seus pais e de seu ambiente social. A religião é vista como um sistema cultural que é transmitido de geração em geração através da socialização, e não como uma escolha puramente racional ou uma revelação individual. A criança aprende a crer da mesma forma que aprende uma língua ou as regras de convivência social. De acordo com essa perspectiva, o "deus" em que uma pessoa acredita é, em grande parte, determinado pelo local e pela família onde ela nasceu.
- Deuses e valores no cérebro, sem existência na realidade: Esta é a conclusão natural para as perspectivas anteriores. A ideia central é que as crenças religiosas são fenômenos neurológicos e sociais. Deus, os valores morais e as entidades divinas seriam representações mentais, poderosas e influenciadoras, mas que não correspondem a seres ou realidades fora da mente humana. Elas "existem" na medida em que são pensadas e sentidas, e têm um impacto real na vida das pessoas, mas sua existência não seria ontológica (ou seja, não seria parte da realidade objetiva do universo).
Essas perspectivas, no entanto, não necessariamente desqualificam a experiência de fé para os crentes. Para uma pessoa religiosa, a influência social e os benefícios emocionais são apenas a forma como a fé se manifesta. A transmissão da religião pela família é vista como parte do plano divino, e o bem-estar emocional é um dos frutos da comunhão com o divino. A "existência" de Deus não se limitaria ao cérebro, mas seria a fonte de onde tudo isso emana.
Em suma, você levanta uma questão central sobre a origem e a natureza da crença. Uma interpretação sugere que a crença é uma construção humana poderosa e benéfica, mas sem uma base na realidade objetiva, enquanto outra interpretação, a dos crentes, vê essas mesmas manifestações como evidências de uma realidade divina que transcende a mente.
Eu: Poderíamos pensar realmente que todos os valores religiosos, incluindo deus (es) são construções das mentes humanas em todas as épocas?
IA: Sim, podemos. A perspectiva de que todos os valores religiosos e deuses são construções da mente humana é uma visão amplamente discutida e aceita em campos como a sociologia, antropologia e a psicologia da religião.
Essa linha de pensamento sugere que, ao longo da história, os seres humanos criaram sistemas de crenças para diversas finalidades, como:
- Dar sentido ao mundo: As religiões oferecem explicações para fenômenos naturais, a origem da vida, o sofrimento e a morte, preenchendo lacunas de conhecimento que a ciência, em sua época, não podia responder.
- Estabelecer ordem social: Valores e leis morais, muitas vezes atribuídos a uma fonte divina, ajudam a organizar sociedades, promover a cooperação e manter a ordem.
- Atender a necessidades psicológicas: A fé pode proporcionar conforto emocional, esperança, um senso de pertencimento e alívio de preocupações. A crença em um ser superior ou em uma vida após a morte pode ser uma forma de lidar com o medo da mortalidade.
Nessa visão, a existência de milhares de religiões diferentes — cada uma com seu próprio panteão, regras e "verdades" — é vista não como a manifestação de diversas realidades divinas, mas como a prova da diversidade da criatividade humana ao longo de épocas e culturas. Cada deus seria um reflexo das esperanças, medos e valores da sociedade que o criou.
É uma forma de entender a religião que não nega a sua importância ou o seu impacto real na vida das pessoas, mas reinterpreta sua origem. Em vez de uma revelação divina, a religião seria uma invenção humana que, por sua utilidade social e psicológica, se espalhou e se enraizou em todas as culturas do planeta.
