terça-feira, 18 de abril de 2017

Neurociência e como se formam os valores religiosos em nosso cérebro

Introdução 

 

Na minha opinião não existe nada de sobrenatural atuando em nossas mentes a promover o aparecimento de emoções e sentimentos. Aliás a Psicologia nem seria uma Ciência se deixasse permitir algo assim pois Ciência é uma atividade humana onde, já “a priori”, não deixa que os fenômenos naturais, incluindo as manifestações do cérebro, sejam influenciados por quaisquer fatores sobrenaturais. Então o que acontece com a totalidade de fenômenos mentais está relacionado com o conceito de “valor”. Valores com sentimentos, emoções, não só racionais… neste texto eu faço uma introdução relacionando os valores religiosos, que são criados pela mente, através da influência do ambiente social da pessoa, com os nossos fenômenos mentais. O que se considera alma e espiritualidade deveria ser substituído por influências desses valores religiosos, diferentes para cada povo, mostrando porque as religiões não são iguais entre si. 

 

Um valor se forma quando uma ou mais informações, chegando à sua mente, são memorizadas e têm a capacidade de, quando estimulada por algum fato futuro qualquer, gerar um sentimento que o levará a agir, para o bem ou para mal, ou ficar indiferente. Simplificando o raciocínio. É uma memória de emoção, em relação a algo material ou abstrato pelo qual nós seres humanos temos consideração, apreço, sentimento. 

 

Simples assim? Não! Por trás de uma frase desta existe mais ciência do que você possa imaginar. Existem centenas de anos de pesquisas e descobrimentos, cientistas dando suas vidas pela verdade e nem sempre tendo sucesso, mas, não entrarei no assunto da história da ciência. 

 

Quero esclarecer neste artigo algo que sempre digo: "a partir da infância uma criança terá os seus sentimentos 'canalizados' a acreditar nos valores religiosos". Valores passados pelos pais, amigos, parentes, a religião local, as escolas etc., enfim, do meio ambiente social. E por esses valores as pessoas se unem, fazem bem ao próximo, mas, também se matam! 

 

Como é possível existir comportamentos tão antagônicos? Não é tão simples responder, mas entra aí a intolerância com os valores das outras religiões, o fato de cada uma achar os seus valores absolutos, de serem verdades absolutas e competirem diretamente uma com as outras de forma muitas vezes desastrosa. Ainda que no Brasil exista muita tolerância, reconhecida por outros países, lá fora é muito diferente. 

 

Em meu texto "O paradoxo dos gêmeos religiosos" *, digo da diferença de dois irmãos criados separadamente em meios sociais diversos onde as suas religiões são diferentes. Irão estranhar as crenças um do outro, os valores religiosos. 

 

Veja, educados em culturas onde as informações que receberam não eram iguais, formarão muitos valores incompatíveis entre si. E é aí que entrarão em conflito se não houver tolerância. No texto falo, sendo um cristão e outro muçulmano... O cristão: "Deus é pai de Cristo e este veio ao mundo para nos salvar. A Bíblia é o seu livro sagrado onde existem ensinamentos dos Dois. O muçulmano dirá que acredita em Cristo, mas que ele fora apenas - e aqui já começa a briga - um profeta em nível terreno e humano. Maomé, inclusive não citado na Bíblia, é o profeta que escreveu um livro sobretudo o que o deus Alá queria para o povo na Terra. O livro é o Corão e nem queira dizer a eles que o que está escrito lá não tem nada a ver com a nossa realidade neste mundo!". 

 

Receberam informações diferentes que, memorizadas, possuem a capacidade de gerarem ações diferentes ou, no mínimo, com muita incompatibilidade porque os sentimentos são diferentes. E nem preciso dizer o quanto os sentimentos são poderosos em nossas vidas. 

 

Mas no primeiro parágrafo temos conceitos científicos relacionados com valor. São eles: informação, mente, memória e sentimento. Estes conceitos foram um a uns compreendidos pela neurociência como manifestações das atividades neurônicas em nosso cérebro que descrevo aqui: 

 

1 - Informação: os neurônios transmitem informações entre eles sendo as unidades básicas no cérebro, responsáveis por esse fenômeno. E esse fenômeno já é conhecido há muito tempo desde a década de, pasmem, 1890, quando o neuroanatomista espanhol Santiago Ramón y Cajal (1852-1934) descreveu o que se chamou de "a teoria do neurônio", a teoria da organização neural, com quatro princípios: 

1a. Existe uma célula, que Cajal chamou de neurônio, que é a unidade de sinalização elementar do sistema nervoso; 

2a. O prolongamento de um neurônio, o axônio (transmissão), se comunica com os dendritos (recepção) de outros neurônios em uma região chamada fenda sináptica. Mais tarde os cientistas descobriram que o impulso só passa de um neurônio para outro com a presença de substâncias químicas, os   neurotransmissores, se acumulando nessa região que é vazia, fenômeno esse conhecido como sinapse; 

3a. Um neurônio se comunicará somente com células específicas e não com outras; 

4a. Dentro de um neurônio o sinal viaja somente em uma direção e sentido. Com isto é possível rastrear como o sinal se comunica com as outras células nervosas. 

 

Feito isto, Cajal, recebendo o Nobel de 1906 de fisiologia ou medicina, estabeleceu as bases do funcionamento cerebral em termos simples que são os neurônios. 

 

2 - Memória: existe uma base química para a memória descoberta pelo cientista americano Eric R. Kandel, Nobel de fisiologia ou medicina em 2000, em que ele brilhantemente explica no livro "Em Busca da Memória" (Kandel, 2009). 

 

Existe a memória de curto prazo e a memória de longo prazo, onde a primeira é um fortalecimento das sinapses com uma maior liberação de neurotransmissores. Já na segunda acontecem dois fenômenos: substâncias estimulando um gene do neurônio a produzir novos prolongamentos do axônio para haver mais sinapses e se aumentando a produção de neurotransmissores do que na memória de curto prazo. Uma observação tem que ser feita aqui: nas duas ocorrem interações de diversas substâncias químicas não sendo viável descrevê-las em um texto simples e pequeno como este. 

 

3 - Sentimento: sensação devido a estímulo (s) externo (s) ou interno (s) fazendo com que haja ou não a liberação de neurotransmissores em neurônios de diversas áreas cerebrais em conjunto, ocorrendo ou não a liberação de hormônios e/ou neurotransmissores pelo nosso corpo. É bom salientar que nós percebemos uma sensação ou um sentimento não só em nossos cérebros, mas também pelo corpo. Por exemplo, o alívio de uma angústia com o alívio de uma sensação ruim em nosso peito acompanhada do desaparecimento também de pensamentos negativos. Quando você está feliz, sua mente está equilibrada no sentido de pensamentos positivos acompanhada de uma ótima sensação pelo corpo devido às substâncias químicas nele liberadas. 

 

4 - Mente: estado produzido pelo funcionamento de várias regiões do cérebro. Cuidado com a palavra "estado"; ela se aplica a (quase) todos os ramos da ciência, mas é estudada de forma geral na teoria dos sistemas e em sistemas complexos. Uma definição para o leigo seria a de como o sistema, em nosso caso as várias regiões cerebrais, subsistemas do cérebro, estão produzindo a nossa mente, de como ele está no momento. Você está concentrado em uma tarefa? Está pensando em como realizar aquela viagem na próxima semana? Preocupado com o aluguel? Veja que a mente é algo muito dinâmico porque enquanto você pensa em algo, seus olhos podem reparar um carro na rua enquanto seus ouvidos estão captando um barulho de uma reforma em um prédio que te perturba. 

 

O eminente neurocientista português António R. Damásio diz em seu livro, "E o Cérebro Criou o Homem" (Damásio, 2011), que a mente não é só produzida inteiramente no córtex cerebral. Ela é a porção mais recente do cérebro evolutivamente falando, responsável principalmente pela nossa lógica, o raciocínio lógico e maior que nos outros animais em relação ao tamanho cerebral. 

 

Damásio fala também do tronco cerebral, de suas duas divisões, o núcleo do trato solitário e o núcleo para braquial, e o terceiro seria o colículo superior como produtores da mente. Ele é a maior autoridade mundial no assunto de sentimentos, emoções e consciência no momento, tendo escrito vários livros sobre estes assuntos. 

 

Veja os valores religiosos: informações chegam a uma criança, no próprio meio ambiente social, às dezenas, centenas, sempre, como fatos absolutos da religião local e, quando ela as memoriza e passa a senti-las, levando-a a uma ação ao receber um estímulo, elas estarão definitivamente concretizadas em sua mente. Na verdade, os valores ficam com a criança como memórias de emoção. No decorrer da vida alguns poderão mudar ou não, podem se intensificar etc.  

 

Padres da igreja católica não se casam; bispos evangélicos, cristãos como os padres, casam-se. Você coloca santos em sua sala, mas para outros cristãos isto é absolutamente inadmissível. Mulheres islâmicas escondem todo o corpo nas burcas enquanto no Brasil se mostra quase tudo do corpo. Valores... Islâmicos rezam em direção e sentido à cidade de Meca e os cristãos rezam em qualquer lugar. Hindus e xintoístas adoram muitos deuses e os cristãos a só um. Valores... 

 

Mas o que mais interessa aqui é como esses valores se formam em nossos cérebros. 

 

Dei explicações em parágrafos anteriores de como entender quatro fatos científicos, a informação, mente, memória e sentimento. Então como se forma um valor a partir destes fatos neurocientíficos? 

 

Agora entra um conceito da teoria dos sistemas e da ciência da complexidade um tanto difícil de explicar ao leigo, o de propriedades emergentes. 

 

Dois ou mais fenômenos juntos produzem outro que, sozinhos, os primeiros, não conseguiriam realizar. É como ver o novo fenômeno de um plano acima, olhando para aqueles embaixo que o forma. 

 

Darei um exemplo simples: um próton possui características, propriedades como carga e massa. Carga positiva. O elétron possui carga negativa e uma massa muito menor que a do próton. O nêutron possui massa, quase igual à do próton, mas sem carga. Agora imagine uma quantidade infindável deles em um recipiente. Talvez se comportem como um gás, mas, se eles, por algum motivo, se configurarem em átomos de hidrogênio, oxigênio, e produzirem água, terão novas propriedades físico-químicas diferentes das partículas e átomos em separado. Veja que a propriedade emergente - água com propriedades novas - só apareceu depois que eles se reuniram de maneira especial. 

 

Então, quando eu disse as quatro primeiras palavras deste artigo, "um valor se forma", eu estava me referindo a isto, mas precisei explicar aqueles quatro fatos: informação, mente, memória e sentimento, para até chegar aqui. O valor pode ser considerado como uma propriedade emergente das interações físico-químicas, dos neurônios, em regiões específicas do cérebro. 

 

O valor, seja ele qual for, inclusive o religioso, não precisa de uma alma ou espírito, ou de um deus para existir. Digo deus em "d" minúsculo porque me refiro aos deuses de todas as seitas e religiões que o ser humano inventou. Afinal, matéria e energia comuns já estavam presentes em todas as formas de vida que, em algumas delas, chegaram até nós. 

 

 

Nota 

Pinto, A. A. (2008, 12 de Dezembro). O paradoxo dos gêmeos religiosos. Blog O relativismo religioso como eu o vejo: as muitas diferenças entre as religiões. https://orelativismodasreligioes.blogspot.com/2008/12/o-paradoxo-dos-gemeos-religiosos.html

 

Referências 

CASTRO, A. M. O. Sentindo e agindo. Um novo homem para um novo milênio. Rio de Janeiro: Papel Virtual, 1999. 

DAMÁSIO, António R. E o Cérebro Criou o Homem. São Paulo: Companhia das Letras, 2011. 439 p. 

KANDEL, Eric R. Em Busca da Memória: o nascimento de uma nova ciência da mente. São Paulo: Companhia das Letras, 2009. pp. 76-84. 

 

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

O gene das experiências místicas

Palavras chave: genes, neurociência, relativismo religioso, evolução

Um gene constrói uma área cerebral em um feto onde a futura pessoa terá as suas experiências místicas em conjunto com sentimentos, emoções e a própria racionalidade de outras regiões cerebrais. Simplificando ao máximo.

Esse hardware é puro, limpo. O software será implantado pelo meio ambiente social da pessoa, principalmente dos pais, irmãos, outros parentes e amigos, através de informações e conceitos que se tornarão valores religiosos para ela.  Existem diferenças muito grandes entre as religiões e, o principal, é que o  absoluto para uma não o é para outra. Quase 100% de chance dessa pessoa seguir, em linhas gerais, com algumas diferenças, o que todos da sua sociedade seguem da religião local.

Não li “O Gene de Deus” (1) de Dean Hamer mas pretendo ler. Depois faço questão de comparar com este texto a fim de apontar diferenças ou semelhanças entre o que penso agora e o que está no livro.

Sobre o software digo que escrevi muitos artigos a respeito do assunto que estão no meu blog “O Relativismo Religioso - Como eu o vejo” (2) e coloco aqui  uma consideração presente em muitos deles: a vantagem de um gene assim começa em algo aparentemente sem conexão com o tema deste artigo: a consciência. Ela possui uma incerteza, uma dubiedade não muito comentada pela literatura científica. Por um lado é um grande apoio ao raciocínio lógico estando presente no dia a dia não somente das pessoas mas sim antes de suas ações, no que elas pensam: “(Eu) Farei isto por ser vantajoso”, “Não será melhor (Eu) pegar um táxi porque, mesmo (Eu) pagando mais, (Eu) não corro o risco de (Eu) perder a entrevista de emprego? De outra maneira traz questionamentos, dúvidas, confusões mentais, etc., podendo levar muitas pessoas a desequilíbrios emocionais de graus variados comprometendo suas próprias vidas particulares. Falo de questões como “qual o sentido da vida?”, “o que faço neste mundo?”, no sentido existencial e, o que é mais aterrador: “o que vem após a morte?”, “tudo ‘apaga’ e não estarei presente em mais nada?”, “gostaria de voltar…”.

Imagine quando o ser humano começou a ter consciência de si próprio e do mundo que o rodeia. Já com inteligência avançada para tais questionamentos, ele teria que possuir, seu cérebro teria que possuir algo, selecionado pela evolução, “filtrado” por ela, para amenizar o sofrimento de tamanha carga emocional presente todos os dias de sua vida…

Parece, o que digo, algo simples, mas problemas existenciais menores como mudar de área de trabalho, de vida, etc., já levou muita gente a psicólogos,  psiquiatras, sessões de terapias, remédios, etc. Pense então em questões maiores, de dimensões onde o próprio existir está em jogo. É realmente muito perturbador.

Mas também não só as questões existenciais poderiam deixar as pessoas doentes. Preocupações das mais diversas, tentativas de conquistas, mesmo sonhos, etc. Aí, então, o que está fora do controle, aquilo totalmente incerto, aflições, são jogados para os valores religiosos… Deus para os cristãos, deuses das outras religiões de outros meios ambientais sociais, ritos e orações. O sofrimento é diminuído, crescem as esperanças, libertam-se de angústias e ansiedades.

E estes valores religiosos são reais? Não necessariamente. O que é ensinado ao software como eu disse no segundo parágrafo são informações que encontram sentimentos. Você passa a gostar de um valor religioso. Simplificando. Mas a informação pode ser falsa que a carga emocional com ela carregada é verdadeira,  e, muito forte, pois veio principalmente de pessoas importantes da sua vida.

Um gene desse tipo teria grande chance sim de se perpetuar porque, entre outros fatos, um dos maiores erros ao se pensar a evolução, é atribuir vantagens apenas aos corpos dos animais. O cérebro deve entrar neste contexto como em muitos outros. O bom funcionamento dele é essencial para a sobrevivência de indivíduos e das espécies às quais ele são integrantes.


Notas:

1 - HAMER, D. O Gene de Deus. 1a. Edição. São Paulo: Mercúryo, 2005. 276 p.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Por que Deus não "nasce" junto nas cabeças das pessoas?

Escrito em: 29/06/2015.
Atualizado em: 10/09/2018.

Introdução. 
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Este artigo é de neurociência mas ligado com assuntos religiosos pois é uma introdução em um tema controverso, se os valores religiosos de cada religião, diferentes umas das outras, são ensinados para depois serem memorizados no cérebro através de um ponto de vista materialista ou se provêm naturalmente do sobrenatural, tendo um deus como causa inicial. Tanto a psicologia como a neurociência se defrontam com esse problema, mas deixo para o próprio leitor chegar a conclusões, opiniões sobre esse assunto embora eu o leve para o lado materialista.

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Título difícil deste texto. Dos muitos artigos escritos por mim sobre o relativismo religioso, (1) inclusive relacionando a um termo novo na neurociência, cunhado por mim, a neurorreligação, (2) este foi o mais complicado de se colocar um nome.
  
Nós começamos a ter consciência do mundo e de nós mesmos por volta dos quatro anos de idade; uns depois, outros antes, mas, na média, é nessa idade. 

Me lembro de duas casas onde moramos, eu e a minha família, em Guarujá, Estado de São Paulo. Havia meus pais e os meus irmãos também. Alguns vizinhos, minha casa, amigos, carros, praias, etc., e, eu! Sim, meu corpo, meus pensamentos e sentimentos, minhas primeiras lembranças da minha consciência junto também ao fato de que foi quando comecei a sentir a minha presença em ocorrências comigo e com as outras pessoas e/ou objetos. Mas não havia nenhuma ideia sequer de Deus, de nenhum valor religioso da Igreja Cristã, Católica, a qual passei a pertencer devido ao meu meio ambiente social, e, grave este conceito. Chamo de valor religioso a Deus, o Batismo, “Os Dez Mandamentos”, a Bíblia, a oração “Pai Nosso”, a oração “Ave Maria”, dentre outros. Por isto o título deste artigo foi difícil para mim: nada estava na minha mente relativa a qualquer religião ou valor religioso... Acredito o mesmo para todas as pessoas, em todas as épocas e no mundo inteiro, e, em todas as religiões...
  
Por volta dos seis anos percebi e imaginava alguns valores religiosos os quais os adultos comentavam entre eles e passavam a mim, de maneira simplificada, pois eu era muito criança. Uma árvore de Natal representando o nascimento de um homem muito bom nascido bem antes de mim; um local maravilhoso em tamanho, estátuas e pinturas, presenciado por mim devido aos meus pais me acompanhando onde era a igreja principal da cidade; amigos me falando de Deus sendo “algo” criador de tudo, inclusive nós, pessoas e a natureza, esta ainda tão pequena pois era apenas o quintal de casa. Era o meu ambiente social... Ele ensina ao mesmo tempo mostrando um mundo sendo a religião local absoluta perante as outras.

Por tudo isso eu disse que o título deste artigo foi difícil de criar. Nenhum valor religioso da Igreja Católica estava em minha cabeça quando criança. Mesmo o maior deles: Deus. Não havia indício de nada, nenhum conceito ou ideia de Deus. 

E por quê? Porque eu tive que ser ensinado! 

Seria o nome certo para esse artigo, “Por que os conceitos sobre Deus não existiam em nossas cabeças antes de nos ensinarem?”. Ou “Por que Deus não estava presente naturalmente em nossas cabeças quando éramos crianças?” E por aí vai...
  
Este artigo poderia ser uma introdução a um outro meu de nome “Neurociência e como se formam os valores religiosos em nosso cérebro”. (3)  Nele eu digo a respeito das informações sobre uma religião convertidas em valores quando elas se combinam com sentimentos. Quando informações estiverem intimamente relacionadas a sentimentos. Você, por exemplo, ao rezar o “Pai Nosso”, se “encontra”, digamos assim, com muitas emoções e sentimentos a mexerem no seu estado emocional e físico, produzindo e/ou liberando substâncias químicas em todo o seu corpo. Por isso se sente bem e rezar por muitas vezes, todos os dias, obterá resultados benéficos até por toda a sua vida. Entrar em contato direto com valores desse tipo, muito importantes porque estão arraigados em suas memórias, realmente alteram a fundo os interiores do seu cérebro. A neurociência pesquisa sobre essas influências, mas no momento ainda está engatinhando como também no sentido de procurar os valores morais em nossos sítios cerebrais.
       
Por enquanto eu falei no Deus cristão, mas, e nas outras religiões nas quais os deuses são diferentes, possuindo valores religiosos diferentes? Por exemplo, quais seriam as situações de crianças nascidas e criadas em outro país, em outros meios ambientes sociais, como a Índia, por exemplo? Eles são na maioria hindus, praticantes do hinduísmo, politeístas, e não acreditam no Deus cristão como os cristãos não acreditam nos muitos deuses deles, não nascidas também na cabeça das crianças… Nesse ponto tudo é relativo.

O ser humano nasce com a mente vazia de qualquer informação e, consequentemente, valores religiosos e também de valores morais. O fato de termos que ensinar - e nós também fomos ensinados - demonstra mais uma das faces do relativismo religioso. Ensina-se, surgem os valores religiosos e esses passam a ser considerados absolutos para as pessoas, mas, na realidade, cada povo, em suas regiões, acaba por acreditar em valores diferentes. Qual deles estará certo? Nenhum porque os valores religiosos e as religiões não são absolutos e sim relativos. E por que então fazem efeito como no exemplo de se rezar o “Pai Nosso”? Porque são memórias “carregadas” de emoções e sentimentos.


Nota:
 
Recomendo a leitura de outro artigo meu, “O paradoxo dos gêmeos religiosos” - http://orelativismodasreligioes.blogspot.com.br/2008/12/o-paradoxo-dos-gemeos-religiosos.html 


Referência: 

1 – Argos Arruda Pinto. O relativismo religioso – Como eu o vejo. 2007. Disponível em: < http://orelativismodasreligioes.blogspot.com/ >. Acesso em: 10/09/2018.

2 Argos Arruda Pinto. Neurorreligação. 2016. Disponível em: < http://neurorreligacao.blogspot.com/2016/10/neurorreligacao.html >. Acesso em: 10/09/2018.

3 – Argos Arruda Pinto. “Neurociência e como se formam os valores religiosos em nosso cérebro”. 2015. Disponível em: http://orelativismodasreligioes.blogspot.com.br/2017/04/neurociencia-e-como-se-formam-os.html >. Acesso em: 10/09/2018.